
Eu observo meus dias como uma criançinha admirada.
De boca aberta, maravilhada com os milagres do cotidiano.
E a cada passo me exorto à felicidade ingênua do equilibrio
Da minha habilidade de me manter sobre meus próprios pés.
Eu abro meus olhos e miro o horizonte abasbacado com
O colorido de um por do sol que se deflagra diariamente.
Meu coração se enche de ternura sob os auspícios do dia.
E minhas retinas se dilatam em alegria em poder enxergar.
O ouvido acompanha Bach e o corpo cede ao cansaço do fim do dia
Entretanto os dedos seguem ágeis a composição como as horas,
E mais infalível do que a primavera que aflora os teus jasmins
Virá abraçar-me o amor que me falta com a candura que busco.



