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Saturday, March 06, 2010

Negligência do tempo















As crianças agora temem em se olhar nos espelhos

E os idosos de se olhar pela janela. Desconhecem o que tem lá fora.

A poeira se acumula sobre a mobilia e o vento lá fora

Brinca com as folhas secas num vai-e-vem pelo jardim descuidado.

A grama não cortada esconde coisas espalhadas pelo chão

E no canto da parede do quarto brinquedos quebrados jazem esquecidos.


O medo inspira os aspirantes a anjo e dão asas de Ícaro aos deuses,

E caminham a passos largos em direção à casa abandonada.

Os pequenos se entreolham desconfiados e se perguntam sobre as horas

A vida vagueia desnorteada por entre os tolos de braços cruzados

E fecham seus olhos insípidos e maldizem o deus que falhou.



Tito ramalho



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